Dirigido por Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy, filme inicia sua trajetória nacional após conquistar o prêmio de Melhor Curta-Metragem no Festival de Biarritz, na França, e de Melhor Fotografia na Argentina.

Após uma estreia europeia, o curta-metragem paraibano “Caso Isolado” (2026) prepara sua estreia nacional no Brasil em novembro de 2026. O filme integra as competições oficiais do 28º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (FestCurtasBH), realizado de 30 de outubro a 8 de novembro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), e do 36º Festival Ibero-americano de Cinema – Cine Ceará, que acontece de 7 a 13 de novembro, no Cineteatro São Luiz e Cinema do Dragão do Mar, em Fortaleza (CE). Os dois eventos estão entre os importantes espaços de valorização e difusão da produção cinematográfica brasileira e internacional.

A chegada do filme ao circuito nacional acontece após a conquista do Abrazo du Meilleur Court-Métrage, principal prêmio do 35º Festival Biarritz Amérique Latine, realizado entre 26 de setembro e 2 de outubro, na França. Concedida por um júri internacional presidido pelo cineasta francês Pierre Salvadori, a premiação também contempla a aquisição da obra pela France Télévisions, um dos principais grupos públicos de televisão franceses.

Como desdobramento dessa vitória, “Caso Isolado” também integra uma sessão especial na Cinémathèque Française, em Paris, programada para 12 de outubro, ao lado do longa-metragem chileno “Hangar rojo”, de Juan Pablo Sallato, vencedor do Abrazo de Melhor Filme e do Prêmio do Público. A sessão será apresentada por Jean-Christophe Berjon, delegado-geral do Festival Biarritz Amérique Latine.

Em crítica publicada no Le Club de Mediapart, Cédric Lépine destacou a maneira como o filme articula discriminação racial e desigualdade de classe, ressaltando a direção de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy e o trabalho com as interpretações, elementos que conferem força e coerência à narrativa.

Um olhar sobre raça, classe e pertencimento no Brasil contemporâneo

Ambientado em João Pessoa, na Paraíba, “Caso Isolado” acompanha Cristina (Jamila Facury), uma mulher negra de pele clara que, após um acidente envolvendo o entregador da empresa onde trabalha, assume temporariamente as entregas de cosméticos pela cidade. Ao percorrer bairros mais abastados, enfrenta situações de discriminação racial e de classe que expõem contradições em sua própria experiência: ao mesmo tempo que sofre os efeitos do preconceito, reproduz, inconscientemente, comportamentos discriminatórios.

A partir dos deslocamentos da protagonista pela capital paraibana, o curta investiga as relações entre identidade racial, colorismo, desigualdade social e pertencimento, revelando como o racismo estrutural se manifesta nas interações cotidianas e atravessa a percepção que os indivíduos constroem de si mesmos e dos outros.

A estreia nacional nos festivais de Belo Horizonte e Fortaleza representa um novo momento na circulação do filme, levando ao público brasileiro uma narrativa que, embora profundamente conectada à realidade social do país, encontrou ressonância junto a espectadores e críticos internacionais.

Produção parahybana e trajetória dos realizadores

Escrito, dirigido e protagonizado por Jamila Facury, atriz do longa-metragem “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, “Caso Isolado” marca sua segunda parceria na direção com o cineasta Edson Lemos Akatoy, também responsável pela montagem. A dupla trabalhou anteriormente no curta-metragem “Quando Sair Lá Fora Serei Ana” (2025), vencedor do “PAOA” de Melhor Curta-Metragem na 37ª edição do Festival Internacional de Cine de Viña del Mar (FICVIÑA), no Chile.

Produzido pela Tecelã Filmes e Restinga Filmes, em coprodução com a Filmes Urgentes, o curta foi filmado em João Pessoa, em janeiro de 2026. A produção executiva é assinada por Deborah Abreu, com direção de produção de Gabriela Arruda. O elenco reúne ainda Cely Farias, integrante de “O Agente Secreto” (2025), de Kleber Mendonça Filho, e Ingrid Trigueiro, conhecida por trabalhos como “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, e “Manas” (2025), de Mariana Brennand.

Viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba, o projeto mobilizou mais de 30 profissionais, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva audiovisual do estado.